O porquê do boom de Ozempic e Mounjaro
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O porquê do boom de Ozempic e Mounjaro
Nos últimos anos, medicamentos como Ozempic e Mounjaro deixaram de ser nomes técnicos e se tornaram parte das conversas cotidianas. O que começou como um tratamento para o diabetes tipo 2 virou tendência mundial para o emagrecimento, impulsionada por resultados expressivos, pela mídia e, claro, pelas redes sociais.
Mas o que explica esse verdadeiro boom? Seria apenas o poder da publicidade ou existe uma revolução científica por trás desses medicamentos?
O que são Ozempic e Mounjaro
Tanto o Ozempic quanto o Mounjaro pertencem à classe dos medicamentos chamados agonistas do receptor de GLP-1, que agem no sistema digestivo e cerebral. Eles aumentam a sensação de saciedade, reduzem o apetite e controlam a liberação de insulina, o que ajuda a equilibrar os níveis de glicose no sangue.
A diferença é que o Ozempic contém semaglutida, enquanto o Mounjaro traz tirzepatida, uma molécula mais recente que combina dois mecanismos de ação (GLP-1 e GIP). Essa inovação faz com que muitos pacientes percam peso com mais rapidez e apresentem melhor controle metabólico.
A Omens explica em detalhes as diferenças e indicações de cada medicamento no artigo sobre Ozempic ou Mounjaro?, que analisa eficácia, segurança e orientações médicas para o uso de cada um.
Por que esses medicamentos ficaram tão populares
Resultados visíveis e rápidos
Estudos clínicos mostram que pacientes tratados com semaglutida perdem, em média, 15% do peso corporal, enquanto os que utilizam tirzepatida chegam a uma redução de até 20%. Esses resultados superam qualquer outro tratamento farmacológico para obesidade disponível até o momento.
Com números tão expressivos, não demorou para as redes sociais transformarem os GLP-1 em verdadeiros fenômenos virais. Celebridades, influenciadores e até pessoas comuns passaram a divulgar suas experiências, muitas vezes sem acompanhamento médico, o que ajudou a popularizar, mas também a banalizar o uso.
O impacto foi tão grande que as vendas globais dispararam, levando a períodos de escassez em diversos países. A demanda aumentou mais rápido do que a produção poderia acompanhar.
A influência da mídia e da estética
Da prescrição médica à cultura da imagem
A ascensão dos injetáveis para emagrecimento coincide com um momento em que a imagem corporal e a estética têm papel central na autoestima. O corpo magro continua sendo associado a sucesso, saúde e disciplina, e o acesso a medicamentos que prometem “resultados sem esforço” se tornou tentador.
No Brasil, essa tendência também foi observada em ambientes acadêmicos. Uma pesquisa conduzida por estudantes da ETEC analisou o comportamento de jovens adultos diante da crescente exposição ao corpo perfeito nas redes sociais. O estudo concluiu que a busca por soluções rápidas, como injeções de GLP-1, reflete não apenas o desejo de emagrecer, mas a pressão social de se encaixar em padrões estéticos cada vez mais rígidos.
O dado chama atenção para um ponto fundamental: quando a estética dita o uso, o risco de uso indevido e sem orientação médica cresce.
Os efeitos da ciência e do mercado
Inovação com alto custo
A semaglutida, substância presente em medicamentos como Wegovy e Ozempic, é uma das drogas mais estudadas da última década. Ela representa um avanço real no tratamento da obesidade, especialmente por atacar um dos fatores mais difíceis de controlar: o apetite.
No entanto, o custo desses medicamentos ainda é elevado. O artigo da Omens sobre o preço da semaglutida explica os motivos dessa variação, que envolve desde a complexidade de produção até o crescimento global da demanda.
Enquanto o valor é um obstáculo para muitos, o sucesso clínico reforça a importância de políticas públicas que tornem esses tratamentos acessíveis, principalmente em sistemas de saúde públicos. A obesidade é uma doença crônica: e tratá-la adequadamente vai muito além da estética.
O papel das pesquisas acadêmicas
A comunidade científica também vem analisando o fenômeno sob múltiplas perspectivas. Um artigo publicado pela Universidade de Iguaçu (UNIG) revisou estudos sobre o uso de semaglutida e tirzepatida, destacando que ambas as substâncias apresentam eficácia comprovada, mas com desafios no manejo dos efeitos colaterais gastrointestinais.
O estudo reforça que, embora as duas drogas representem avanços significativos, elas devem ser prescritas com cautela e acompanhadas de mudanças de estilo de vida. Nenhum medicamento é isento de riscos, e o equilíbrio entre ciência e responsabilidade é o que garante o sucesso terapêutico.
A publicação também aponta para um fenômeno interessante: pacientes que tratam a obesidade com acompanhamento médico adequado relatam não apenas perda de peso, mas melhora na qualidade do sono, na disposição e na autoestima.
Desafios e riscos do uso sem controle
O aumento do consumo, aliado à facilidade de acesso em plataformas digitais, trouxe outro problema: o uso sem prescrição. A automedicação com GLP-1 pode causar náuseas intensas, desidratação, constipação, queda de pressão e até pancreatite.
Além disso, surgiram no mercado versões falsificadas e fórmulas manipuladas de origem duvidosa. A Anvisa e a Organização Mundial da Saúde já emitiram alertas sobre produtos adulterados contendo substâncias diferentes das originais.
Por isso, a exigência de receita médica passou a ser indispensável. Não se trata de burocracia, mas de proteção à saúde.
A nova fronteira do tratamento da obesidade
Com o sucesso dos injetáveis, as farmacêuticas intensificaram as pesquisas para desenvolver novas gerações de medicamentos. Estão em estudo combinações de GLP-1 com outras substâncias, como amilina e GIP, que prometem maior eficácia e menos efeitos adversos.
Mas o avanço científico também traz um desafio ético: garantir que o tratamento não se torne privilégio de poucos. O boom de Ozempic e Mounjaro não deve ser apenas uma tendência de consumo, e sim um passo em direção a uma medicina mais preventiva, centrada no paciente e baseada em evidências.
Conclusão
O sucesso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro mostra o quanto a ciência pode transformar vidas, mas também o quanto precisamos de responsabilidade no uso. Eles não são soluções mágicas, e sim ferramentas médicas que exigem acompanhamento e informação.
A análise da Universidade de Iguaçu (UNIG) reforça a importância de acompanhamento clínico e multiprofissional. Já o estudo conduzido por estudantes da ETEC mostra como a pressão estética e o marketing digital influenciam escolhas de saúde.
Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial conversar com um médico e entender se o Ozempic ou Mounjaro é realmente indicado para o seu caso e qual o custo real do tratamento.
Entre o avanço científico e a responsabilidade social, o equilíbrio é o que transforma medicamentos em aliados e não em modas passageiras.
